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O Nascimento da Praça de Toiros Palha Blanco
“(…) Em Vila Franca de Xira damos valor ao que é nosso. E a Praça de Toiros Palha Blanco, fazendo parte integrante do património colectivo da cidade e do conjunto do concelho, é certamente uma referência incontornável da nossa cultura e da nossa maneira de viver. (…)”
Era assim que Maria da Luz Rosinha, então presidente da Câmara Municipal, abria o seu discurso nas comemorações dos 100 anos desta Praça. E que forma bonita de descrever este monumento que tem um lugar especial no coração de cada vilafranquense e de todos os aficionados.
De seguida, voltamos atrás no tempo para vos contar como há 125 anos uma cidade inteira se uniu para erguer o monumento mais carismático de Vila Franca de Xira, a sua Praça de Toiros.
No início do século XX, Vila Franca de Xira era já uma vila profundamente marcada pela relação com o Tejo, com o campo e com as suas tradições. A tauromaquia fazia parte da vida coletiva e da identidade local, mas os espaços destinados às corridas de toiros tinham sido, até então, provisórios. Três praças de madeira haviam servido a vila ao longo dos anos — frágeis, limitadas, e uma delas consumida pelas chamas.
Era evidente que a tradição exigia permanência.
É neste contexto que surge a figura de José Pereira Palha Blanco, lavrador e ganadeiro, homem da terra e do seu tempo, que decide dar resposta a essa necessidade. A sua ambição não era apenas erguer uma nova praça, mas construir um espaço sólido, duradouro, capaz de acompanhar o crescimento da vila e de afirmar Vila Franca de Xira como um dos centros taurinos mais relevantes do país.
A obra avançou com rapidez notável. Em apenas seis meses, foi construída aquela que viria a ser a quarta Praça de Toiros da vila — desta vez em alvenaria, pensada para resistir ao tempo, ao uso e à memória. A 30 de setembro de 1901, a nova praça foi inaugurada, assinalando um momento decisivo na história local.
Desde o primeiro dia, a Praça de Toiros Palha Blanco afirmou-se como muito mais do que um recinto de espetáculos. O projeto de José Palha Blanco tinha uma dimensão social clara: as receitas geradas pela atividade tauromáquica destinavam-se a apoiar o Asilo Creche, instituição criada para acolher crianças órfãs durante a devastadora epidemia da pneumónica. Num período particularmente difícil, a praça assumia também um papel de responsabilidade e solidariedade.
A importância da Palha Blanco cresceu rapidamente. Em 1905, a presença de El-Rei D. Carlos numa corrida realizada na praça conferiu-lhe o estatuto de praça de primeira, distinção reservada apenas aos mais importantes palcos da tauromaquia nacional. Vila Franca de Xira passava, assim, a ocupar um lugar de destaque no panorama taurino português.
Mais tarde, num gesto que asseguraria a continuidade da sua missão, a Praça de Toiros foi doada à Santa Casa da Misericórdia, que passou a confiar a sua exploração, em regime de concessão, a empresas especializadas em espetáculos tauromáquicos. Garantia-se, desse modo, não apenas a sobrevivência do edifício, mas a preservação da sua função cultural e identitária.
Assim nasceu a Praça de Toiros Palha Blanco.
De uma necessidade, de uma visão e de um compromisso com a comunidade.
Um espaço construído em 1901, pensado para o seu tempo — e preparado para atravessar gerações.

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