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Grande triunfo do Grupo de Vila Franca na Terça Feira Noturna
Por Paulo Paulino “Bacalhau”
A tradicional corrida de toiros de Terça Feira Noturna da feira de Vila Franca de Xira, nesta temporada 2025, com a noite de Exaltação ao Forcado Amador, como é usual designar-se, contou com um curro de toiros Canas Vigouroux enfrentado pelos cavaleiros João Ribeiro Telles, Miguel Moura e Salgueiro da Costa, contando ainda com a atuação em solitário do Grupo de Forcados Amadores de Vila Franca de Xira.
Pelas 22:05 horas deu-se início à função e nesta altura a praça contava com meia casa forte a caminhar para os dois terços de lotação, numa noite temperada para o fresco.
Os toiros, todos de quatro anos, foram genericamente Jaboneros, com boa apresentação, um ou outro com menos cara, sem uma bravura de “encher o olho”, mas com nobreza na sua maioria. O segundo toiro da noite, neste particular, distanciou-se de todos os restantes. Um excelente toiro e por isso mesmo merece ser justamente realçado.
A lide que abriu a corrida coube a João Telles que enfrentou um exemplar com 545Kg que não veio disposto a grandes confrontos e em cada oportunidade fugia da peleia descaradamente na direção das tábuas, embora acabasse por investir sempre que João Telles lhe entrava nos terrenos. O labor do cavaleiro foi premiado com música após o segundo curto e mesmo cravando mais dois bons curtos, a lide nunca chegou a romper sendo a causa principal a pouca voluntariedade deste exemplar.
Abriu praça na função das pegas o forcado da cara Miguel Faria. Abriu e com grande estrondo, naquele que considero o momento da noite, numa fantástica pega que não me cansaria de passar a noite inteira a ver e rever. A alegria do cite, elegante e provocatório, as medidas certas a pisar terrenos já quase impossíveis mandando e recuando com extrema finura, para se fechar numa reunião do “outro mundo” a aguentar os derrotes do oponente que dava o que tinha e o que não tinha para se livrar do forcado e a entrar grupo dentro, com este a corresponder em extrema competência. Quem viveu este momento único na Palha Blanco, dificilmente o esquecerá,
Volta para cavaleiro e forcado e não ficaria mal uma segunda volta para Miguel Faria (fortemente peticionada pelo público) que com grandeza e humildade apenas agradeceu nos médios com João Telles.
O segundo toiro da corrida, com 520Kg com boa cara e sem ter uma apresentação que sobressaísse relativamente aos restantes deste curro, foi de longe o triunfador da noite relativamente aos seus irmãos de camada. Extravasou nobreza e apresentou requintes de bravura de nota elevada, algo que o levou a “dar tudo” nesta lide, caraterísticas à medida para o cavaleiro Miguel Moura que esteve em excelente nível a aproveitar toda esta “riqueza” que lhe caiu nos braços. A sorte de gaiola inicial e aquele ímpeto com que o toiro carregou praça fora a perseguir o cavaleiro, as investidas francas perante as restantes cravagens e o modo como sempre se comportou após o castigo, alegre e sem poupar esforços, a resposta sempre pronta à toureria com que Miguel Moura bregou com excelência durante as preparações, ladeando enormidades, tudo isto deu azo a mais um excelente momento passado nesta corrida. O cavaleiro talvez tenha pecado em cravar dois palmitos finais, numa altura em que nitidamente já faltavam forças ao toiro, mas tratou-se de uma questão de critério de Miguel Moura, que aceito, mas considero excessivo.
Para a segunda pega da noite, o forcado da cara foi Vasco Carvalho. De cite sereno e a deixar o toiro “descansar”, carregou no momento certo em que o toiro encetava uma investida ténue e cuja provocação causou maior franqueza na mesma, aguentou o tempo necessário para se sacar e receber numa reunião de grande espetacularidade, com um forte derrote para o ar num atitude defensiva do toiro e a consequente tentativa deste em despejar o forcado, algo que não conseguiu, também mercê da competentíssima intervenção do primeiro ajuda Diogo Duarte que esteve imponente e tornou fácil o que aparentava ser complicado, permitindo que o grupo fechasse em mais uma excelente pega. Outro grande momento nesta Terça Feira Noturna.
No final, volta apoteótica para Miguel Moura, Vasco Carvalho, Diogo Duarte e para a representante da ganadaria, Maria Vigouroux, justamente chamada a dar volta.
Salgueiro da Costa recebeu o terceiro Canas da noite, de 530Kg e menos cara, bastante alto e com pouca classe, reações de mansidão a responder ao castigo. Não foi fácil para o cavaleiro dar a volta a este toiro. Durante a troca de montada, um momento de pouca inspiração por parte de um elemento da quadrilha a dar imensos capotazos, assobiadíssimos pelo público, completamente desnecessários e que apenas serviram para retirar investida ao toiro. Ficava bem um aviso por parte da direção da corrida, considero eu. O labor do cavaleiro não foi fácil e Salgueiro esteve bastante empenhado em dar a volta a este contratempo, com o toiro sempre desinteressado da luta e nos últimos ferros a adiantar-se barbaridades, sendo que ao escutar-se música, parte do público se tenha manifestado contra esse facto. Eventualmente, será um critério da direção de corrida, mas poderá ser discutível. Atender ao labor e esforço que o cavaleiro dedica à lide, ou contrariamente, aceitar que a música toque se não existem dificuldades visíveis. Talvez o labor do cavaleiro merecesse, o toiro certamente que não, mas parte do publico não concordou.
A fechar a primeira metade das pegas desta noite, o forcado da cara foi Rodrigo Camilo. O forcado esteve bem no cite, convicto a carregar, aguentou e recuou o necessário para reunir numa pega em que não complicou e o toiro também não apresentou dificuldades que colocassem em causa o sucesso desta pega, embora empurrasse bem, e que culminou bem fechada pelo resto do grupo.
Rodrigo Camilo, no final, agradeceu nos médios em solitário.
João Telles recebeu o volumoso Canas de 575Kg que abriu a segunda parte da corrida com 2 bons compridos e logo ali percebeu que o segredo desta lide estaria na capacidade de se ligar bem ao toiro, impedindo-o de se distanciar do confronto e foi com esta tónica que toda a lide decorreu. O curto inicial foi excelente e logo ecoou a música na Palha Blanco com forte aplauso por parte do público. Sem dar tréguas ao toiro, João Telles deu um recital de bons ferros, seja com cambiadas na cara do toiro, seja em entradas com batida ao piton contrário, com classe e a ir por vezes a terrenos impossíveis, numa lide de grande qualidade e a maturidade de quem conseguiu entender perfeitamente o que este toiro precisava para ser lidado. A troca de montada para um último curto não favoreceu a imagem deixada nesta lide.
Rodrigo Andrade foi o forcado da cara escalado para a quarta pega da noite por parte do Grupo de Vila Franca. Toda a pega foi uma aula de competência, seja do forcado da cara que esteve corretíssimo em todos os aspetos e fechou-se com muita técnica, seja do grupo que esteve extraordinário a ajudar e a fechar a pega e que teve de “guerrear” na zona das tábuas com um toiro que não se dava por vencido facilmente. Mais uma grande pega nesta noite de terça-feira.
João Telles e Rodrigo Andrade deram volta e agradeceram nos médios.
Para o cavaleiro Miguel Moura saiu o corpulento quinto toiro da noite, com 570Kg e que se veio a revelar ser o toiro mais reservado e com maior seriedade da corrida. Perante um toiro com estas características e o poder que possuía, não foi uma tarefa fácil para o jovem Moura e a cada momento de aproximação do toiro ao cavalo sentia-se perigo iminente. O terceiro curto, cravado nos tércios na zona da porta dos cavalos foi um dos ferros de melhor nota e contou com uma excelente preparação, sendo que a partir daí, o toiro já se adiantava perigosamente, algo que não atemorizou Moura que ainda cravou um palmito antes de sair de praça consciente do dever cumprido perante as visíveis dificuldades que este toiro apresentou durante a lide.
Saltou à praça o forcado da cara Guilherme Dotti, para tentar a pega deste toiro. Esteve bem a citar e a carregar, recuou o suficiente, mas a pouca velocidade que o toiro empregou na investida deu-lhe maior tração para se defender com um derrote bastante violento para cima, despejando o forcado de imediato no solo. Nestes dois tempos, o toiro “arrumou” este grande forcado que se lesionou e teve de ser substituído. Para a dobra, saltou o cabo Vasco Pereira. Para a sua tentativa inicial foi necessário retirar o toiro de tábuas, visto ser contraproducente subir demais com um toiro destas caraterísticas e o primeiro ajuda Rodrigo Dotti também diminuiu distâncias do forcado da cara. Nova entrada violenta do toiro, a despejar ambos os forcados na zona das segundas ajudas. Na segunda tentativa de Vasco Pereira, o grupo encurtar um pouco mais, e mesmo com mais uma entrada violenta, desta vez a pega foi efetuada com sucesso apoiada num grande empenho e espírito de sacrifício de todos os envolvidos, numa pega dura e complicada pela seriedade, poder e atitude defensiva do oponente
Miguel Moura deu volta em solitário.
Para a lide do último toiro da noite com 520Kg, alto, menos volumoso que os 2 anteriores e com boa cara, saiu a praça o cavaleiro Salgueiro da Costa. Para além da dificuldade natural do toiro, o cavaleiro teve de lutar com as montadas, sendo que ainda antes do segundo comprido, uma reincidente “nega” da montada fez com que o toiro abalroasse ambos na zona da porta dos cavalos. A montada seguinte também comprometeu a atuação do cavaleiro, mas já em menor escala e Salgueiro da Costa, a cada ferro conseguido já considerava uma grande vitória o que acabou por empolgar, talvez em demasia, o próprio cavaleiro, criando uma divisão de opiniões entre parte do público e o cavaleiro. Na realidade alguns ferros até foram sendo bem conseguidos, atendendo às dificuldades, não do toiro, mas das montadas e acabou por ser num ambiente um pouco “estranho” que o cavaleiro abandonou a praça, aparentemente consciente de ter feito uma lide quase triunfal e parte do público a não considerar tais termos.
A última pega desta corrida, teve como forcado da cara André Câncio. Sereno no cite, mandou no toiro e recebeu bem numa viagem em que o oponente o tentou despejar por baixo, mas o forcado vinha bem fechado e o grupo teve uma entrada oportuna e competente, fechando esta pega com sucesso.
No final, volta para Salgueiro da Costa e André Câncio.
Nota final para uma opinião pessoal, de que teria ficado bem ao público da Palha Blanco uma chamada, no final da corrida, de agradecimento na arena aos verdadeiros triunfadores da corrida, o Grupo de Forcados Amadores de Vila Franca de Xira. 5 pegas à primeira tentativa (algumas delas extraordinárias) e uma pega à terceira tentativa, num toiro de grau de dificuldade elevadíssimo, talvez merecesse algum reconhecimento.
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