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Momentos e Apontamentos - Colete Encarnado

Estreamos nova rúbrica!
Momentos e Apontamentos é o retrato das emoções vividas na Palha Blanco, por Diogo Dos Santos 📹 e Paulo Paulino “Bacalhau” 🪶

Vila Franca no Colete Encarnado, o culto ao Toiro e ao Campino

A Palha Blanco abriu as suas portas para a tradicional corrida do Colete Encarnado na tarde não exageradamente quente, mas algo ventosa de 6 de julho de 2025 com 3/4 de casa fortes e com um cartel bem cuidado, onde constavam os cavaleiros João Telles e Francisco Palha e ainda os forcados de Vila Franca de Xira para lidar e pegar 4 toiros da ganadaria Vale Soraia, sendo que para a lide apeada, constava o matador de toiros de Bezièrs, Sebastián Castella, que se enfrentava com 2 toiros da ganadaria Varela Crujo, numa jornada que serviu pra homenagear este ilustre maestro, figura querida em Vila Franca onde deu alguns dos seus primeiros passos nesta difícil arte que conta já com 25 anos de longevidade desde a alternativa e onde conta com alguns bons amigos e uma grande legião de admiradores.

Os toiros Vale Sorraia saíram com grande presença, sendo os 2º, 4º e 5º aplaudidos à saída dos curros, quase todos cumpriram com nota elevada e caraterísticas que marcam os toiros desta ganadaria, voluntariosos, sem maldade, alegres a investir e sem nunca criar crenças durante as lides, apenas com a ressalva de por vezes, após a cravagem, um campinar no carregar ao cavalo, dando ideia de algum adiantamento, caraterística notada nos toiros lidados por João Telles. Destoou ligeiramente o 1º toiro no trapio, talvez algum excesso de gordura e no caso do 5º toiro, que denotou alguma menor voluntariedade nas investidas, dificultando de certo modo a segunda lide de Francisco Palha. Quanto aos pesos e idade, muita homogeneidade, 535 kg, 585 Kg, 560 Kg e 525 Kg, entre os 4 e os 5 anos de idade.

Os hastados de Varela Crujo, bastante mais terciados, deslustraram na presença e no comportamento. O castanho saído em 3º lugar com ínfimas condições de lide, nunca deu azo a que o matador estivesse a gosto, acabou por ser assobiado na recolha e o toiro saído em último lugar, também com pouca cara mas com um comportamento mais cumpridor, sempre mais perigoso pela esquerda que pela direita onde permitiu algum luzimento na sua lide.

Nas lides equestres, João Ribeiro Telles esteve uns furos acima do seu alternante, compreendeu bem ambos os toiros, sendo que no 1º toiro após um excelente 2º curto escutou música. A ferragem foi saindo com bons ferros conseguidos com batidas ao piton contrário, muita homogeneidade e acerto na cravagem, saindo o cavaleiro com forte ovação após um muito bem conseguido 5º curto, deixando ambiente.
No seu 2º toiro, talvez o melhor toiro a par do 1º lidado por Francisco Palha, mais do mesmo, com música após o 2º curto, o cavaleiro a compreender as extraordinárias condições de lide do oponente, excelentes ferros bem conseguidos através de batidas ao piton contrário e foi com esta receita bem conseguida que abandonou praça em clima apoteótico e o público rendido às suas 2 boas atuações.

Francisco Palha começou por brindar aos reis do Colete Encarnado presentes na praça, os campinos, e logo de seguida recebeu o poderoso oponente, uma estampa de pelagem negro salgado. Com uma clássica e bem conseguida brega além de colocações para a sorte bastante assertivas, Francisco Palha nunca conseguiu romper apesar do seu labor, denotando pouca homogeneidade na cravagem. A direção de corrida ainda concedeu música (que o próprio cavaleiro mandou silenciar) após um excelente 4º curto a receber a forte investida do toiro, junto às tábuas do setor 1. Foi com um 5º ferro curto de antologia, também a receber a forte investida do bravo oponente que terminou a lide, numa atuação global que apesar de ter tido os seus baixos, foi sempre em crescendo, mas a não satisfazer totalmente a vontade de triunfar do cavaleiro, apesar de compreendido pelo público.
Na lide do último toiro da parte equestre, recebeu um menos voluntarioso Vale Sorraia que não facilitou e que aliada a alguma falta de inspiração do Francisco, que ainda tentou com 2 trocas de montada e obtendo após a 2ª troca alguma maior ligação ao toiro, nunca chegou ao público e acabou por abandonar praça com justificada frustração. Lide sem história, mas a não criar mácula na imagem deste extraordinário artista.

Na parte apeada, o matador francês, recebeu o seu pouco condigno, para esta praça, Varela Crujo que ainda investiu nalguns lances de capote bem templados mas deficientemente rematados. O vento foi o principal inimigo desta lide. O tércio de bandarilhas tentado pela quadrilha de Castella, foi para esquecer, tal a falta de qualidade. Na muleta, o Maestro ainda ajudou o toiro numa fase inicial que de seguida tentou uma série de naturais a uma tentativa (também frustrada) de lancear do lado direito para obter algum “sumo” do oponente, mas a lide resumiu-se a isto, pouca colaboração de um toiro sem qualidade, o vento a dificultar e Castella a não conseguir fazer mais que cumprir os tempos de lide.
Para a última lide da tarde, Sebastián Castella recebeu um Varela Crujo também ele com pouca presença, apesar de mais rematado que o anterior, pouca cara, mas felizmente, mais voluntarioso, apesar de não possuir qualidade relevante. No capote foi algo abreviado e desta vez o tércio de bandarilhas foi mais conseguido pela quadrilha de Castella. O matador brindou à Palha Blanco a sua lide de muleta sabendo que iria mais uma vez ser prejudicado pelo vento que não dava tréguas. Abriu com alguns derechazos com remate em passe de peito e foi insistindo com passes pela direita, bem conseguidos.
Foi toureando o oponente, sobretudo pela direita, que não sendo um primor de bravura, possuía algumas condições de lide e ainda conseguiu arrimar-se numa boa série de naturais, algo que raramente foi bem conseguido neste toiro. Com boas sequências de passes pela direita, a música premiou o labor e o profissionalismo de Castella que extraiu o que o toiro podia dar e prosseguiu a lide em crescendo até ao final. No final, teve uma volta bastante aplaudida de um toureiro que sentiu a praça e que a praça estava também sedenta de sentir, numa verdadeira reciprocidade de vontades.

Nesta tarde o Grupo de Forcados Amadores de Vila Franca de Xira, tinha a seu cargo as 4 pegas da ordem. Se o tinha, melhor o conseguiu, numa atuação redonda, de saber pegar e de ajudar com uma qualidade de arrepiar.
No toiro que abriu praça, Lucas Gonçalves que brindou aos campinos presentes na bancada, fez uma boa pega à 1ª tentativa, tal como todas nesta tarde, mandando bem e fechando-se numa viagem que levou o toiro grupo dentro, com ajudas coesas a fechar uma pega onde nem forcados nem toiro complicaram.
Para a pega do 2º toiro da tarde, o forcado da cara foi Guilherme Dotti. O toiro veio pronto e com poder, o Guilherme mandou e controlou a investida, fechou-se com eficácia e o grupo ajudou exemplarmente um bravo oponente que empurrou forte até às tábuas.
Miguel Faria foi o forcado escalado para tentar a cara na pega do 4º toiro. Trata-se de um forcado em que a sua juventude vai sendo ultrapassada pela qualidade que já demonstra. Como já se previa, o bravo oponente entrou com poder e após uma reunião áspera, mas muito bem conseguida, entrou grupo dentro e este correspondeu com extraordinária competência, com realce para as 2ªs ajudas, fundamentais para o sucesso desta excelente pega.
Para a pega do último toiro da lide equestre desta tarde saltou como forcado da cara, o forcado Rafael Plácido. O toiro investiu forte e obrigou a uma reunião poderosa com o forcado da cara bem fechado a encher a cara ao toiro, com o grupo mais uma vez a denotar muita coesão e saber fazer bem as funções de cada elemento em praça, culminando deste modo uma tarde bastante positiva do grupo de Vila Franca.

Destaques finais para o minuto de silêncio cumprido durante as cortesias, pelo recente falecimento de Rafael Peralta e para o bem conseguido 4º toiro, aplaudido na recolha e que também mereceu volta e agradecimento nos médios para João Telles e Miguel Faria por via das suas atuações neste toiro. Destaque negativo para uma pequena, mas barulhenta parte do público, que em (felizmente escassos) momentos não se comportou como estando na solenidade de uma corrida de toiros séria, onde todos os intervenientes se esforçaram para dar o seu melhor, e como tal, assim devem ser interpretadas as suas atuações.

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